Capítulo IV - Traços de Lisboa (Parte I)
« Mais uma vez encontro-me sozinho naquele buraco a que eu costumo chamar de casa. Era o meu dia de folga e eu não tinha nada para fazer, mas de repente lembrei-me que ainda não conhecia bem a terra que agora era a minha casa, o meu doce lar. Fui à janela admirar o fantástico sol que dominava o céu naquela tarde. Depois peguei nas chaves de casa e fui explorar a Lisboa que ainda não era conhecida por mim. Sendo um rapaz do campo, podemos dizer que a minha adaptação à grande capital foi boa, porém eu não a conhecia suficientemente bem para dizer se gostava ou não dela. Uma coisa é certa, adaptei-me rapidamente. Mesmo sem conhecer, adaptei-me ao stress lisboeta, adaptei-me aos cafés e lojas antigas, adaptei-me aos turistas, adaptei-me aquilo que os mais velhos chamavam de Nova Lisboa. »
Excerto do livro 'À Procura de Algo' que está a ser escrito por Jorge Fresco, um dos alunos envolvidos no blogue de turma.
1. Diálogo entre Dª Madalena de Vilhena e D. João de Portugal
Autores:
- André Costa
- Luís Santos
- Diogo Ramos
- Tiago Costa
(Palácio de D. João de Portugal; luminosidade escassa, no espaço encontram-se D. João e Madalena)
Madalena: Que fazeis aqui fantasma do meu passado?
D. João: Vim em busca da minha vida perdida…na fatídica batalha de Alcácer-Quibir.
Madalena: Mas eu procurei-te durante sete anos, e nenhuma noticia tua surgiu (mostrando uma grande tristeza e arrependimento, com algumas lágrimas).
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Autores:
- Susana Bolinhas
- Nádia Rocha
- Tiago Cordeiro
(Após D. Madalena de Vilhena ter descoberto que o Romeiro se tratava de D. João de Portugal e que a sua presença implicaria a desgraça e o sofrimento de sua família, dirige-se então a D. João na cela do convento)
D. Madalena (argumentando a seu favor, de modo a que D. João entendesse as suas razões): Depois de vinte e um anos de ausência, em que vos procurei exaustivamente, em sete deles... em que sentia a alma perdida, o coração apertado e cansado de procurar um sinal de vós… por mais pequeno que fosse… depois desses anos, desisti, fui vencida. Percebei que, eu, durante esse tempo, sempre, vos amei com respeito. Desculpai-me. Desculpai-me, se quando vos vi chegar, vos causei algum melindre, dor, sofrimento. Quando aqui chegastes, nada tínheis. Tudo fora perdido… perdido o nosso amor, a nossa ambição de criar uma família. Nossa! Perdoai-me… se …
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2. Diálogo entre Dª Madalena de Vilhena e Telmo
Autores:
- Mara Guerreiro
- Telma Fernandes
- Rita Coelho
- Tiago Morais
Dª Madalena com ar preocupada solicita Telmo, pedindo-lhe ajuda.
Madalena: (inquieta) Telmo, tens de evitar que a nossa menina sofra, temos de a proteger! Tens de falar com D. João para impedir que ele a magoe.
Telmo: (surpreendido) Como? Sabei que sempre gostei muito de D. João! Não o posso desapontar e muito menos desautorizar.
Autores:
- Biana Moreira
- Fábio Vagarinho
- Micaela Garcia
- Mário Carvalho
Madalena- Meu bom Telmo, peço-te por tudo, pedi a D.João, pedi-lhe que se afaste. Que não anuncie, que não alimente tanta desonra.
Telmo (apreensivo)- Ele o declarara e eu sempre vo-lo lembrei: “Vivo ou morto, Madalena, hei-de ver-vos pelo menos uma vez neste mundo”… Veio!
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3. Diálogo entre Maria e o Romeiro
Autores:
- Ana Liques
- Ana Santana
- Carolina Bernardo
- Sandra Martins
Na frieza e na penumbra da capela do palácio de D. João de Portugal, Maria implora ao Romeiro, que se afirme como um impostor diante de Deus, Prior e os Pais.
Maria (sai da sua câmara e dirige-se à capela) – Telmo, Telmo, onde estás tu? Preciso de falar com o tal romeiro. Telmo, por favor, vem até mim e diz-me quem é ele! (num tom alto e agitado, caindo no chão). Porquê, porquê? Também tu, meu Telmo, não me respondes?
Romeiro (entra e dirige-se a Maria) – É comigo que quereis falar? Porque me procurais?
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Autores:
- Andreia Gonçalves
- Jorge Fresco
- Sílvia Lebre
- Ricardo Gonçalves
Maria (dirigindo-se ao romeiro): - Quem sois vós? Que fazeis vós, realmente, aqui?
Romeiro: - Sou apenas um pobre esquecido…
Maria (interpelando-o de forma agressiva): - Deixai-vos de frases feitas! Escusais de negá-lo! Sei o que estais a planear… De que vindes, vós, em busca? Dinheiro? Vingança? Mostrai as vossas verdadeiras intenções!
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Autores:
- Leonel Silva
- Patrícia Nascimento
- Vera Neves
(Maria sai do palácio de D. João e entra no convento dos Domínicos.)
Maria (dirigindo-se ao Romeiro; angustiada) – Quem sois vós? Porque trazeis contigo tanta desgraça? Conheceis meu pai e minha mãe?
Romeiro (seguro das suas palavras) – Não sou ninguém, sou apenas um simples romeiro libertado de uma escravidão de vinte anos, após o cativeiro da batalha da Alcácer Quibir, antes da qual conheci vossos pais. Trago desgraça porque em tempos anteriores fui um membro de uma ilustre família portuguesa.
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Vem cá.
Junto de mim.
Vá, aproxima-te.
Não tenhas medo.
Confia em mim.
Olha.
Olha bem para mim.
Olha-me nos olhos.
Consegues sentir?
Cada batimento do coração, salta-me pelos olhos na forma do teu nome.
É lindo, não é?
Chama-se Amor.
Sim, és tu a causa do brilho.
Sim, és tu a causa da existência.
Sim, és tu.
Só tu.
Aproxima-te ainda mais.
Agarra-me.
Prende-me, enlançado-me nos teus braços.
Laços de ternura.
Laços que perduram.
Laços de nós e por nós .
Queres ser perfeito?
Então, não saias daqui nunca mais.
Preso no olhar, eternizado no coração.
Meu Amor, estás aqui?
Sempre fiel, susanabolinhas.
Num melancolico dia 8 de Abril de 2009.

Fonte da imagem: http://nbknew.deviantart.com/art/Back-to-t
Local: Comunidade de Batwa, distrito de Kisoro, Uganda
Excelente edição, cores adequadas, boa perspectiva, magnífica captura.
Modelo e cenário incríveis.
Sentimentos vastos.
Ao primeiro olhar surge um primeiro sentimento, uma primeira sensação, um primeiro impulso, um primeiro pensamento, que nos tira a respiração, não nos deixa engolir e, se for preciso, faz-nos derramar lágrimas. Queremos falar mas não conseguimos.
Porém, não tente encontrar as palavras certas para se lamentar. Não são precisas palavras, elas não podem simplesmente mudar nada portanto, cale-se e pense.
A fotografia é intensa, poderosa, emotiva e invoca o pensamento, a interiorização de todos os pequenos pormenores. Tão forte ao ponto de gerar um turbilhão de sentimentos tão intensos que se quisermos ordená-los por ordem crescente, não conseguiríamos. Inocência, solidão, vergonha, pânico, infelicidade, raiva, frustração, tristeza, angústia, timidez, medo, desespero, melancolia, revolta, angústia.
E quem reflectir o suficiente vai descobrir a intenção pela qual foi captada esta fotografia.

Não sei ao certo se chegamos a conhecer as pessoas. Ou melhor, o verdadeiro interior delas. E quando digo verdadeiro, refiro-me a atitudes voluntárias, sem qualquer tipo de obrigação. Refiro-me a palavras sinceras ao ouvido, nos momentos de maior aperto, de maior angustia. E, também, claro, nos momentos em que o nosso sorriso é tão certo quanto a àgua salgada dos mares. Palavras de apoio, de carinho, de (re)conforto, ditas de coração para coração. Puros. Autênticos.
Às vezes gostava de possuir uma maquineta , que à distância detectasse quem nos possa vir a magoar. Quem com o seu falso sorriso, com as suas falsas palavras, com o seu abraço impuro: nos rasgue o peito com tanta força, com tanta intensidade. Danos irreparáveis? Tenho alguns.
Mas, e tempo? É muito tempo à espera do tempo, não é? Eu sei. Muito tempo a desejá-lo? Eu sinto. Muito, ou melhor, demasiado tempo, é procura do tempo certo. Todavia, de um modo diferente, numa forma oposta, numa duração quase que eterna. Ah, mas calma.. eternindade? Isso existe? Não, penso que não. Não hoje, não agora. Não, neste instante, em que a minha alma atravessa um turbilhão de ventos, cores e sensações. Eu já esperei muito pelo tempo. Deixei-me disso. Deixei de acreditar nele, deixei de pensar que era ele que me trazia as respostas que precisava. Ou as pessoas. Até então, nada me trouxe. E, quase, tudo me levou. quando amamos alguém, as palavras ‘espera’ ou ‘ausência’, não nos são, de todo, desconhecidas. Aprendemos, em surdina e, com o coração apertado, a vivê-las. Com a nossa própria vida, a de papel. Fragilizada com a mágoa das palavras, a dor da ausência ou o vazio dos olhares. Porém, existem corpos, e corações, que nasceram para esperar. Sabem fazê-lo. Quase que na perfeição. Esperam, aguardam, sentam-se, acomodam-se, respiram fundo sempre que sentem que nao conseguem mais, e continuam, continuam.Continuam porque acreditam que o que sentem é verdadeiro e que nada, nem ninguém, detem. Vale a pena cada espera, nenhuma é inutil. Todas por uma causa, por uma vida. Minutos que parecem horas, horas que parecem dias e dias. Dias que parecem uma vida.
Uma vida cheia de tempo – ou a falta dele.
PS: Pus um lembrete no relógio de uma forma propositada. O amor, nao deveria ser lembrado, mas sim, nunca esquecido . Não amem por se lembrarem, pensem em nunca cair no esquecimento.
Mais uma vez, susanabolinhas.
20 de Março de 2009.